Odete Roitman: a morte que virou lenda na televisão
Quando a vilã Odete Roitman caiu vítima de uma arma em *Vale Tudo* (1988), ninguém imaginava que uma novela pudesse parar o Brasil. Interpretada por Beatriz Segall, Odete era o retrato do elitismo ácido, soltando frases que até hoje repercutem sobre honestidade e o tal 'jeitinho brasileiro'. Seu assassinato não foi só o clímax de uma temporada, mas um momento histórico da cultura pop. O país inteiro se perguntava: "Quem matou Odete Roitman?". As rodinhas de conversa no trabalho e nos bares só falavam nisso. Muitos garantem que o burburinho chegou a rivalizar com a tensão de um jogo de Copa do Mundo.
O mistério foi resolvido com a revelação de Leila (vivida por Cássia Kis) como autora do crime, movida por ciúmes, numa cena transmitida num capítulo memorável. Só que a influência da trama foi além. Por semanas, os brasileiros especulavam sobre todas as pistas, os possíveis culpados e, claro, faziam piadas e memes — décadas antes das redes sociais dominarem nosso dia a dia.
Remake, expectativas e outras mortes marcantes nas novelas
Em 2025, a Globo promete renovar as tensões dessa história no remake de *Vale Tudo*. Desta vez, Débora Bloch será a nova Odete, e Taís Araujo assume o papel de Raquel, protagonista que representa a luta do brasileiro comum contra a corrupção. O mais curioso? O segredo do assassino muda. Ou seja, vem aí mais mistério — e fãs já apostam em novas teorias para este clássico.
Mas não foi só Odete Roitman que ganhou velas em casa e rodas de debate. A tv brasileira coleciona mortes que mexeram com o público. Quem lembra da morte de Nazaré Tedesco (*Senhora do Destino*)? Ou do trágico fim de Tonho da Lua em *Mulheres de Areia*? Cada cena virou assunto nacional, com espectadores tentando entender os motivos e prever os próximos passos dos personagens sobreviventes.
- Na novela *Laços de Família*, a cena da morte de Camila quase fez o Ibope disparar.
- Em *O Clone*, a morte de Diogo abriu espaço para a jornada de Jade e Lucas.
- Já em *A Próxima Vítima*, o suspense era descobrir a cada semana quem seria o próximo — e ninguém ousava perder um capítulo sequer.
Essas mortes não são apenas truques de roteiro. Elas refletem, muitas vezes, críticas sociais, denúncias de injustiças e até mesmo tabus da nossa sociedade. Em *Vale Tudo*, Odete não era só vilã: fazia críticas ferozes à forma como lidamos com o dinheiro, o poder e a corrupção.
Essa mistura de drama, mistério e crítica é uma das marcas das novelas brasileiras. E, se depender das novas versões e das conversas nas redes, as próximas gerações ainda vão passar horas pensando na pergunta que nunca sai de moda: "Quem matou Odete Roitman?"
13 Comentários
Marcela S. maio 26, 2025 AT 05:21
Essa cena de Odete caindo ainda me dá arrepios 😢💔. Minha vó chorou na frente da TV e nunca mais falou de novela como antes.
Regina Schechtmann maio 27, 2025 AT 11:41
Ninguém entendeu que Odete era só o espelho da nossa sociedade? Ela não morreu por causa de um ciúme, morreu porque o sistema não suporta mulheres que falam a verdade.
Vinícius André maio 29, 2025 AT 11:00
Acho que todo mundo esqueceu que o verdadeiro vilão era o sistema que permitia Odete existir. A arma era só o símbolo. A corrupção era a bala.
Elaine Soares maio 31, 2025 AT 07:40
O remake vai ser um desastre sem precedentes Débora Bloch não tem a mesma energia que Beatriz Segall e Taís Araújo vai transformar Raquel numa heroína de cartoon tipo a Mulher-Maravilha da zona norte
Marcelo PSI Mac junho 2, 2025 AT 02:30
É importante reconhecer que essas narrativas, embora dramáticas, servem como um espelho cultural. A morte de Odete Roitman não foi apenas um evento televisivo, mas um fenômeno sociológico que expôs contradições profundas na estrutura de poder brasileira.
Rodrigo Carvalho Brito junho 2, 2025 AT 04:38
Quem lembra quando a gente se reunia na casa da tia pra ver o capítulo e depois discutia até a madrugada? Não tinha WhatsApp, não tinha TikTok... só a gente, a TV e o coração apertado. Isso era arte.
nina lyra junho 3, 2025 AT 21:11
Odete era o supremo exemplo de como o elitismo se disfarça de elegância. Ela não era má por natureza, era má porque o sistema lhe ensinou que o poder é um direito e não um privilégio. E quando a verdade a atingiu, o sistema a eliminou. É o ciclo perfeito da tragédia grega com samba de roda no fundo.
Pedro Paulo Pedrosa Netto junho 5, 2025 AT 19:10
E se o assassino não for a Leila? E se tiver uma terceira pessoa? Alguém me diz que não foi a própria Globo que mandou matar Odete pra gerar mais audiência? Eu vi o diretor da novela em 1988 com um sorriso estranho... ele sabia. Tudo é planejado.
Tássia Jaeger junho 7, 2025 AT 01:06
Nao acredito q ainda ta rolando isso, era 1988, o mundo mudou, a novela ta virando meme e vcs ainda ta aí falando de ciúmes e armas? Vai fazer algo de útil.
Blenda vasconcelos junho 7, 2025 AT 19:43
Acho que o que mais me pega é que a gente ainda tá esperando que uma novela resolva o que a política não resolve. É triste, mas é lindo. Como se a TV fosse o único lugar onde a justiça ainda faz sentido.
Raffi Garboushian junho 8, 2025 AT 09:59
Acho que o mais bonito disso tudo é que mesmo depois de 30 anos, a gente ainda se lembra. Isso prova que histórias bem contadas nunca morrem. Seja com Odete, seja com Nazaré, seja com Diogo. A gente carrega essas personagens dentro da gente.
Larissa Duarte junho 8, 2025 AT 16:15
Eu só queria que o remake não mudasse o final. Se a Leila matou, deixa ela matar. Não precisa inventar nova vilã só pra vender mais episódio.
Diego Santos junho 9, 2025 AT 14:18
Acho que o verdadeiro legado de Odete Roitman não é quem a matou, mas o fato de que, mesmo depois de tanto tempo, ainda nos fazemos a mesma pergunta: quem é a verdadeira vilã?